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	<title>Blog do Portal Palestina</title>
	<link>http://blog.portalpalestina.com.br</link>
	<description>Conhecer é o começo</description>
	<pubDate>Tue, 23 Sep 2008 02:45:19 +0000</pubDate>
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		<title>O “prêmio” israelense para um jornalista palestino</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Sep 2008 02:45:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Arturo Hartmann</dc:creator>
		
		<category>PortalPalestina</category>

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		<description><![CDATA[Mohammed Omer é jornalista. Estava me correspondendo com ele através de email há algum tempo, desde maio. Foram poucos. O contato era parte do projeto que desenvolvemos no PortalPalestina. Enviei o primeiro contato no dia 6 de maio, às 16:48. Apresentei-me e expliquei como havia conseguido seu contato, através do site que mantém. Ele toca [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mohammed Omer é jornalista. Estava me correspondendo com ele através de email há algum tempo, desde maio. Foram poucos. O contato era parte do projeto que desenvolvemos no PortalPalestina. Enviei o primeiro contato no dia 6 de maio, às 16:48. Apresentei-me e expliquei como havia conseguido seu contato, através do site que mantém. Ele toca o site RafahToday, com informações a respeito da Faixa de Gaza, região afetada de forma mais dramática pela ocupação militar israelense. </p>
<p>Omer respondeu no mesmo dia, às 18:08, horário de Brasília, já tarde da noite na Palestina. Segue trecho: “Querido Arturo, Muito obrigado pelo seu trabalho duro e por tudo que está fazendo! De qualquer forma, diga-me como posso ajudá-lo. &#8230; Você está autorizado a usar materiais do meu website. AMO SEU POVO! Sinta-se à vontade em me contar a qualquer momento. Mohammed”. </p>
<p>Respondi a mensagem apenas uma semana depois, no dia 14 de maio. Expliquei o projeto e as necessidades que tínhamos de informações vindas diretas da Palestina. Desde então, não tive mais notícias. Em uma das reuniões da equipe do PortalPalestina, apontei certa preocupação. Mas foi logo dispersa pelo conhecimento da falta de infra-estrutura dos diversos serviços em Gaza, inclusive a Internet. Talvez apenas não tivesse recebido o email ou então o teria perdido após muitos dias sem acessar seu correio. Talvez nada tivesse acontecido. </p>
<p>Semana passada, 17 de setembro, às 5:51, recebi sua resposta: “Desculpe por minha resposta tão tardia querido Arturo. Espero que você esteja bem e esteja se cuidando. Eu terei que passar por uma operação em breve. Por favor, veja o que aconteceu comigo. Mohammed”. </p>
<p>Na mensagem, ele me passou um link, que me jogava para uma matéria do jornalista John Pilger, do The Guardian. </p>
<p>Em resumo, o que aconteceu a Omer: ganhou o prêmio Martha GellHorn de jornalismo, que recebeu no final de junho em cerimônia ocorrida em Londres. Levou como parte do prêmio 5000 euros. Na volta à Palestina, no momento em que passava pela ponte Allenby (que separa Cisjordânia e Jordânia), foi parado pelo ShinBet, órgão de segurança israelense, “infame” nas palavras de Pilger. Omer pediu para ligar para o oficial da embaixada holandesa responsável por sua saída e volta à Palestina. Não deixaram. Começaram a revistar sua bagagem. Diálogo (Edward Said estava certo, a palavra perdeu todo seu significado), começando pelo agente israelense: </p>
<p>- Onde está o dinheiro? Onde está o pound inglês que você tem?</p>
<p>- Não está comigo.</p>
<p>- Você está mentindo. </p>
<p>Omer percebeu que queriam o dinheiro do prêmio que havia ganho. Oito oficiais armados, então, o cercaram. O jornalista já havia passado por uma máquina de raio-X e estava só de cuecas. O oficial ‘Avi’ pediu que tirasse toda a roupa. Omer recusou-se. O israelense colocou a mão na arma. Novo diálogo, agora começando por Omer gritando: </p>
<p>- Por que você está me tratando assim? Sou um ser humano. </p>
<p>- Isso não é nada comparado ao que você verá agora. </p>
<p>O soldado pegou a arma, pressionou contra sua cabeça e com todo o peso do seu corpo imobilizou-o de lado. Arrancou sua roupa de baixo. “Ele então me fez fazer uma dança. Um dos soldados ria”, disse a Pilger.  </p>
<p>- Por que está trazendo perfumes?</p>
<p>- São presentes para as pessoas que amo. </p>
<p>- Ah, você tem amor na sua cultura? </p>
<p>O que os soldados mais gostavam de fazer era tirar sarro das cartas que Omer havia recebido na Inglaterra. O jornalista relata a Pilger: “Eu estava sem comida e água havia 12 horas, e tendo sido feito ficar de pé, minhas pernas fraquejaram, dobraram. Vomitei e desmaiei. Tudo que me lembro é um deles enfiando, raspando e agarrando com suas unhas a parte sensível do músculo abaixo de meus olhos. Ele pegava minha cabeça e enterrava seus dedos próximo aos nervos da audição, entre minha cabeça e meu tímpano. A dor tornou-se mais aguda enquanto ele colocava dois dedos por vez. O outro homem tinha sua bota de combate no meu pescoço, pressionando no chão duro. Deitei lá por mais de uma hora. A sala tornou-se uma mistura de dor, sons e terror”. </p>
<p>Pilger informa que ima ambulância foi chamada, mas Mohammed só seria liberado se o médico palestino assinasse um compromisso isentando os oficiais israelenses do sofrimento durante sua custódia. O médico recusou e disse que contataria o acompanhante oficial holandês. Os soldados se assustaram e deixaram a ambulância partir. A resposta israelense, publicada na Reuters, seguiu a linha de que o jornalista era “suspeito” de contrabando e “perdeu a compostura” durante um “justo” interrogatório. </p>
<p>Em artigo publicado no The Nation, no final de julho, o próprio jornalista relata a experiência violenta pela qual passou. </p>
<p>“Fui desnudado com uma arma apontada, interrogado, chutado e batido por mais de quatro horas. Em certo momento, desmaiei e acordei com unhas pressionando o músculo abaixo dos meus olhos. Um oficial apertou meu pescoço com sua bota e pressionou meu peito contra o chão. Outros faziam rodadas chutando, rindo o tempo todo. Arrastaram-me pelos pés, passando minha cabeça pelo meu próprio vômito. Perdi consciência. Disseram-me depois que eles me transferiram a um hospital somente quando acharam que eu podia morrer. Hoje, tenho dificuldades de respirar. Tenho cicatrizes e marcas no meu peito e pescoço. Minhas mãos não funcionam bem; digitar é difícil. Meu médico informou que, devido a dano no nervo por causa de um chute, posso ficar impossibilitado de ter filhos e terei que fazer uma operação”. Escreveu isso no final de julho. </p>
<p>Está desculpado, Mohammed. Está desculpado. </p>
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		<title>Obama e Mofaz: claros e cristalinos</title>
		<link>http://blog.portalpalestina.com.br/2008/06/11/obama-e-mofaz-claros-e-cristalinos/</link>
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		<pubDate>Wed, 11 Jun 2008 18:18:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Arturo Hartmann</dc:creator>
		
		<category>PortalPalestina</category>

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		<description><![CDATA[Demorei para postar este texto, já se passaram quase dez dias desde que as declarações abaixo foram feitas, mas elas valem a pena, inclusive para deixar como registro das negociações que constantemente se delineiam na região do Oriente Médio. No momento, Israel e Síria e Israel e Autoridade Palestina. 
Vamos lá. Caso 1:  
O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Demorei para postar este texto, já se passaram quase dez dias desde que as declarações abaixo foram feitas, mas elas valem a pena, inclusive para deixar como registro das negociações que constantemente se delineiam na região do Oriente Médio. No momento, Israel e Síria e Israel e Autoridade Palestina. </p>
<p>Vamos lá. Caso 1:  </p>
<p>O ministério dos Transportes de Israel, Shaul Mofaz, disse no dia 3 de junho que as Colinas do Golã são parte de Israel e que o Estado não deveria nem pensar em devolvê-las em possíveis negociações. Na verdade, a declaração foi dada quando o ministro se dirigia ao Comitê dos Residentes do Golã. E ele concluía, o título é da agência israelense Ynetnews, que a “Síria não estaria pronta para a paz”.   <a href="http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-3551526,00.html">http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-3551526,00.html</a></p>
<p>Aqui, a sua declaração: “O Golã é e será parte do Estado de Israel, e isso deve ser declarado de forma clara e firme, o que deve ser entendido por nossos inimigos também”. A justificativa: “Dar o Golã a eles hoje é ter os iranianos aqui. Os sírios estão até o pescoço envolvidos no terror, e somente quando quiserem uma verdadeira paz nós a alcançaremos”. </p>
<p>Vale dizer que, pela resolução 242 da ONU, de novembro de 1967, as Colinas do Golã são oficialmente território da Síria e devem ser desocupados e devolvidos aos sírios, assim como, sob o texto da mesma 242, a Cisjordânia deve ser totalmente desocupada e fazer parte de um Estado palestino.  </p>
<p>Caso 2: </p>
<p>Outro que se enrolou nas resoluções no início do mês, dia 4, foi o candidato democrata dos Estados Unidos Barack Obama, quando falava ao AIPAC (Comitê  Americano-Israelense de Assuntos Públicos). Ele quer levar a região à paz, mas para isso quer manter Jerusalém como a capital una de Israel. Declaração do postulante: “Jerusalém permanecerá como a capital indivisível de Israel”. Afinal, diz ele, “Israel precisa manter sua identidade judaica como parte dos acordos com os palestinos”. É outro que precisa ler a 242, que também, através de decisão da Assembléia Geral, define a parte leste de Jerusalém como posse da Palestina. (<a href="http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-3552006,00.html">http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-3552006,00.html</a>)</p>
<p>No fim, a equação, para ser resumida, fica clara: no caso 1, Israel devolve à Síria o que lhe é de direito definido em Assembléia das Nações Unidas, mas em troca Israel se mete em suas relações internacionais ao querer que pare de conversar com o Irã. No caso 2, os palestinos devem ceder sua parte de Jerusalém e em troca Israel pára de massacrá-los. Nada como declarações oficiais para que as coisas fiquem claras. </p>
<p><a href="http://gattaz-artigos.blogspot.com/2008/06/obama-velha-conversa-em-nova-roupagem.html"><em>Leia também, para o caso Obama, o artigo “Obama, o amigo de Israel”, no blog do historiador André Gattaz.</em></a>
</p>
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		<title>Uma revelação sobre a Palestina</title>
		<link>http://blog.portalpalestina.com.br/2008/06/06/uma-revelacao-sobre-a-palestina/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Jun 2008 19:06:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Arturo Hartmann</dc:creator>
		
		<category>PortalPalestina</category>

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		<description><![CDATA[Após a sessão de exibição do filme “Faixa de Gaza”, dentro da 2ª Mostra Imagens do Oriente, promovida pelo Instituto da Cultura Árabe e o Centro Cultural São Paulo, um dos espectadores se aproxima e, ainda um pouco atordoado – de fato o filme foi um dos mais chocantes –, começa um desabafo envolto em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Após a sessão de exibição do filme “Faixa de Gaza”, dentro da 2ª Mostra Imagens do Oriente, promovida pelo Instituto da Cultura Árabe e o Centro Cultural São Paulo, um dos espectadores se aproxima e, ainda um pouco atordoado – de fato o filme foi um dos mais chocantes –, começa um desabafo envolto em um tom de algo novo, uma revelação: </p>
<p><em>- Cara, eu pensava que os judeus eram os bonzinhos. Mas eles são o lado mau, eles que estão matando dessa forma violenta. </em></p>
<p>Procuro esclarecer, não cair na simplificação da questão. Percebi que ele tem pouco conhecimento sobre a questão palestina: </p>
<p><em>- Não são todos os judeus. São alguns judeus, uma parte deles. São os judeus israelenses, o governo de Israel que mata os palestinos. </em></p>
<p>Ele faz uma pausa: </p>
<p><em>- Mas essa nação, a nação deles vai ser destruída. Não tem jeito. </em></p>
<p>Respondo: </p>
<p><em>- Os palestinos estão lutando para que isso não aconteça, para que não sejam destruídos.</em> </p>
<p>Ele faz nova pausa. Depois do silêncio, sentencia: </p>
<p><em>- Não tem jeito, é muita força, muito poder contra eles. Eles vão ser destruídos.</em> </p>
<p>Sai sem deixar que eu retruque. Não sei se teria uma boa resposta. Um dia, espero ter. </p>
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		<title>O caso Finkelstein</title>
		<link>http://blog.portalpalestina.com.br/2008/06/06/o-caso-finkelstein/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Jun 2008 18:57:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Arturo Hartmann</dc:creator>
		
		<category>PortalPalestina</category>

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		<description><![CDATA[No último dia 23 de maio, uma sexta-feira, o acadêmico e professor estadunidense Norman Finkelstein foi preso ao chegar ao aeroporto Ben-Gurion, próximo à cidade de Tel Aviv, Israel, e deportado. A alegação das autoridades israelenses, segundo informou a agência israelense Ynetnews, do jornal Yedioth Ahoronot, é que a prisão, seguida de deportação, se deu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No último dia 23 de maio, uma sexta-feira, o acadêmico e professor estadunidense Norman Finkelstein foi preso ao chegar ao aeroporto Ben-Gurion, próximo à cidade de Tel Aviv, Israel, e deportado. A alegação das autoridades israelenses, segundo informou a agência israelense Ynetnews, do jornal Yedioth Ahoronot, é que a prisão, seguida de deportação, se deu “por preocupações de segurança” (<em>security concerns</em>). </p>
<p>Finkelstein, um filho de sobreviventes do Holocausto, é um dos grandes críticos das políticas do Estado de Israel em relação aos palestinos. Não apenas, pois também procura desmontar algum dos pilares que sustentam o Estado de Israel na sua forma judaica e sionista. Escreveu “A Indústria do Holocausto”, “Imagem e Realidade do conflito Israel-Palestina” e o mais recente “Beyond Chutzpah: on the misuse of Anti-Semitism and the abuse of History”.  </p>
<p>Algumas manifestações após o ocorrido foram interessantes para se entender o tipo de sentimento que o Estado israelense alimenta desde sua fundação contra os tipos de críticas que Finkelstein faz. Sobrou até para Illan Pappè e Daniel Barenboim. Seguem abaixo algum dos comentários que leitores deixaram na página da agência Ynetnews (<a href="http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-3547270,00.html">http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-3547270,00.html</a>). No total, até 6 de junho, 35: </p>
<p><em><strong>1 - de Sheila, de Jerusalem </strong></em><br />
Inimigo do Estado – <em>um deles, de qualquer forma! - Finalmente, e já tarde, nós estamos começando a entender que não temos que ser bonzinhos com aqueles que espalham mentiras sobre nós!!! Agora podemos negar a entrada a Illan Pappè (historiador israelense revisionista, seu último livro se chama ‘The ethnic cleansing of Palestine’), Noam Chomsky (lingüista estadunidense de origem judaica) e Mona Baker (professora egípcia de lingüística) já que eles são os  inimigos íntimos. </em></p>
<p><strong><em>13 - de Natar </em></strong><br />
#2, dá um tempo (respondendo à Thomas, dos Estados Unidos, que havia falado, entre outras coisas, “Vocês, povo judeu, perderam toda a decência humana?) - <em>Ele não foi deportado. A ele foi recusada a entrada e de forma muito correta. Todo país, incluindo os Estados Unidos e outros, tem uma lista de pessoas “não bem-vindas” por diferentes razões.“A decisão de prevenir algumas pessoas de dar voz a suas opiniões com sua prisão e deportação é típico de um regime totalitário”&#8230; Essa declaração de seu advogado Oded Peler é ridícula. Finkelstein NÃO é um cidadão israelense. Cidadãos israelenses não são presos e deportados por dar voz a suas opiniões (pergunte aos árabes membros do Knesset. O senhor Finkelstein não é nada diferente de um terrorista árabe&#8230; Mantenha-no fora.</em> </p>
<p><strong><em>22 – de Robert Bernier – Tel Aviv </em></strong><br />
Judeus que se auto-odeiam são aliados dos árabes – <em>uma parte da intelligentsia israelense, à esquerda, não é mais apoiadora do direito da nação à sua própria identidade judaica. Isso criou um vácuo perigoso. Nas universidades israelenses, historiadores revisionistas têm contado mentiras corrosivas sobre a história do país, retratando-a como tendo nascida no pecado. Nas escolas, crianças não têm aprendido história mas a desinformação árabe no lugar&#8230;</em> </p>
<p><strong><em>23 – de Monty, Tel Mond, Israel</em></strong><br />
Finkelstein – <em>Sheila, compartilho de seus sentimentos, mas, infelizmente, sendo uma democracia, não podemos impedir a reentrada de cidadãos israelenses como Illan Pappè e Noam Chomsky. Pelo mesmo motivo, não podemos excluir Daniel Barenboim, um flagrante crítico de Israel. Podemos, no entanto, parar de convidá-lo a se apresentar em Israel. Eu sugeri anteriormente isso através de cartas à imprensa, mas sem resposta. </em></p>
<p><strong><em>26 – de Terry, Eliat, Israel</em></strong><br />
O homem é inimigo de seu próprio povo – <em>Nós não temos que justificar o tratamento dado a ele. &#8230; Na lei judaica, Finkelstein seria considerado um “informante”(masor, mesirah) e haveria uma pena de morte ligada a sua condenação, considerada a mitzva. Veja o que Maimonides disse, “Maim, Akkum Vê-Hukkoteihem 10:1”&#8230; Então, acabou saindo barato para ele, considerando a ferida que ele intencionalmente nos causou.</em>  </p>
<p>No dia 4 de junho, a mesma Ynetnews publicou artigo do advogado Oded Feller, membro da Associação pelos Direitos Civis em Israel. Segue abaixo a tradução de trecho do artigo:<br />
(<a href="http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-3550887,00.html">http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-3550887,00.html</a>)</p>
<p><em>“&#8230;<br />
A automática ocorrência de muitos entre o público com a regra inexplicável das autoridades israelenses de que Finkelstein é “perigoso” é não menos incômoda do que o banimento de sua entrada. Não menos incômodo é, como notado, a percepção embaraçosa de que Finkelstein está “nos insultando”. Deveríamos saber que o aeroporto Ben-Gurion é uma entrada ao lugar que é lar para pessoas de muitas e diferentes visões. Boas maneiras não são pré-condições para passar pelo aeroporto. </p>
<p>Sinal de que o país está sob cerco </p>
<p>Em anos recentes, nós temos sido forçados a acostumar-nos à expulsão imediata de visitantes de ascendência árabe, parentes de residentes dos territórios ocupados, ativistas da paz e dos direitos humanos, e abusar de repórteres estrangeiros. Agora é a vez daqueles que ‘meramente’ incomodam Israel. A justificativa permanente para a política é que uma ‘pessoa estrangeira não tem o direito de entrar’, ou, em outras palavras, o Ministério do Interior e o serviço de Segurança Shin Bet podem decidir quem entra e quem não entra, e eles não precisam prestar contas a ninguém. Nem mesmo a cidadãos israelenses.  </p>
<p>Esse procedimento, que é realizado rapidamente e discretamente, é um sinal que leva à idéia de um país sob cerco que teme que seus cidadãos ou aqueles sob sua ocupação sejam expostos à visão dos outros, sem um consenso. Liberdade de expressão não é apenas sobre o direito de alguém se expressar, mas também o direito de ser exposto à visão dos outros, mesmo que eles sejam revoltantes e incômodos. </p>
<p>Não importa se as visões de Finkelstein são brilhantes, revoltantes ou inúteis, temos o direito de tê-lo no país. A decisão de expulsá-lo de Israel não apenas o priva da liberdade de expressão, mas, na verdade, a todos nós.” </em></p>
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		<title>O assunto proibido</title>
		<link>http://blog.portalpalestina.com.br/2008/05/30/o-assunto-proibido/</link>
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		<pubDate>Fri, 30 May 2008 21:19:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Kubik</dc:creator>
		
		<category>PortalPalestina</category>

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		<description><![CDATA[Se você acompanha de perto as últimas tendências da moda, já deve ter ouvido falar no keffiyeh. Trata-se daquele lenço que adorna o pescoço ou a cabeça dos homens árabes, geralmente nas cores preta e branca ou vermelha e branca. Sim, aquele que a Glória Coelho destacou como um dos pontos altos do inverno 2008! [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se você acompanha de perto as últimas tendências da moda, já deve ter ouvido falar no <em>keffiyeh</em>. Trata-se daquele lenço que adorna o pescoço ou a cabeça dos homens árabes, geralmente nas cores preta e branca ou vermelha e branca. Sim, aquele que a Glória Coelho destacou como um dos pontos altos do inverno 2008! O sucesso foi tão grande que ele já está em todas as vitrines em São Paulo. Hoje mesmo vi uma versão da peça em uma loja da Praça da República, no centro da cidade.</p>
<p>Mas a Glória Kalil que se cuide: ela pode ser perseguida pela sociedade americana. Quem sabe até barrada no aeroporto, numa daquelas inspeções para a entrada de estrangeiros. A acusação? Incentivar o uso do <em>keffiyeh</em>, claro! </p>
<p>Pelo menos foi isso que aconteceu essa semana com um comercial da cadeia de lojas Dunkin’ Donuts, especializada em comercializar rosquinhas. Na propaganda, a modelo usava um lenço que lembrava o <em>keffiyeh</em> e tinha como pano de fundo um lindo parque florido. A imagem foi suficiente para suscitar inúmeros protestos pela internet. Os bloggeiros acusaram a empresa de “estimular o terrorismo” ao mostrar uma roupa semelhante à de supostos assassinos islâmicos. </p>
<p>Os autores da crítica, porém, esqueceram de mencionar – ou não sabiam – que o <em>keffiyeh</em> é uma peça tradicional da cultura árabe. Feita de algodão e lã, a escarpe pode ser vista em praticamente todos os países da região que têm um clima árido: além de proteger da exposição do sol, ela evita que as rajadas de areia entrem nos olhos ou na boca. </p>
<p>O temor entre os americanos parece beirar o auge do Macarthismo: basta ver uma roupa palestina que já acham que existe alguma propaganda subliminar a favor dos homens-bomba. A pressão foi tamanha que a Dunkin’ Donuts desistiu de veicular o anúncio! O exemplo pode ser pequeno, mas ajuda a entender como uma cultura inteira pode se tornar instrumento de críticas sobre algo que seu povo não tem nenhum controle. E nem necessariamente apóia. É a velha história de pegar a parte pelo todo e tirar conclusões precipitadas – e erradas. Só que o engano é com uma nação inteira.</p>
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		<title>Palestina: uma tarefa interminável</title>
		<link>http://blog.portalpalestina.com.br/2008/05/21/palestina-uma-tarefa-interminavel/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 May 2008 23:50:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Arturo Hartmann</dc:creator>
		
		<category>PortalPalestina</category>

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		<description><![CDATA[
Na noite da última sexta-feira, 16, um ato-vigília realizado pelo Movimento Palestina Para Tod@s, na Avenida Paulista, lembrou os 60 anos da nakba, a palavra árabe que significa catástrofe. A catástrofe para eles foi a expulsão, o caminhar que eles tiveram que realizar para fora de suas terras no momento em que foi criado Israel. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><div class="centralizado"><img src="http://blog.portalpalestina.com.br/up/p/po/blog.portalpalestina.com.br/img/perf.jpg" alt="perf - perf" title="perf - perf" /></div><br />
Na noite da última sexta-feira, 16, um ato-vigília realizado pelo Movimento Palestina Para Tod@s, na Avenida Paulista, lembrou os 60 anos da nakba, a palavra árabe que significa catástrofe. A catástrofe para eles foi a expulsão, o caminhar que eles tiveram que realizar para fora de suas terras no momento em que foi criado Israel. Fugiam da violência que grupos militares sionistas imputavam às populações não-judaicas. O massacre de Deir Yassin, ainda em 1947, foi um dos marcos do caminhar dessa violência. </p>
<p>Um pequeno palco deu espaço a discursos, mas o gesto simbólico que deu fim ao ato foi uma vigília com velas espalhadas em parte do vão livre do Masp, rodeando uma série de quadros de grafiteiros paulistas, tapumes pintados que simulavam o muro atualmente construído ao redor de cidades na Cisjordânia. </p>
<p>Além do gesto que simbolizava o luto, a tristeza, algo que deve ser lembrado mas não comemorado, houve também um esforço de resignação ao levar adiante uma tarefa que parecia interminável. Explico: as velas insistiam em apagar-se, na verdade, a serem apagadas pelo vento frio que soprava em meio ao vão livre. </p>
<p>Os palestinos ali presentes, alguns deles chegados recentemente ao Brasil, vindos de campos de refugiados da Jordânia, no entanto, não desistiam. Uma vela inicial dava o tom, e era responsável por acender todas as outras. Uma por uma. Mas o vento atrapalhava, apagava um rastro de fogo e o transformava em um rastro de velas apagadas. </p>
<p>Mahmud e Hossam, irmãos, respectivamente, de 5 e 9 anos, começaram a brincar e acender as velas. Para eles, que chegaram ao Brasil em setembro de 2007, no primeiro grupo de reassentados palestinos vindos da Jordânia, as chamas traziam curiosidade e eram mais do que qualquer coisa um objeto para brincar. Hossam, mais velho, respeitava o silêncio, o ritual. Já Mahmud não ligava. Queria fazer festa.<br />
<div class="alinhar_esq_caixa"><img src="http://blog.portalpalestina.com.br/up/p/po/blog.portalpalestina.com.br/img/Hssm_1.jpg" alt="Hssm 1 - Hssm 1" title="Hssm 1 - Hssm 1" /></div><br />
O vento continuava a atrapalhar. O frio piorava a tarefa. A cada vela acendida, outra se apagava, e era, resignadamente, com uma paciência de quem vê em uma simples tarefa algo simbólico, novamente acesa. Ela seria um dos poucos sinais de que a Palestina havia sofrido uma catástrofe 60 anos atrás. Seria uma pequena resposta, quase insignificante diante de todo o corpo de discurso que foi dedicado às comemorações da independência de Israel. </p>
<p>Olhar para a tarefa é angustiante. Uma vela que acende e depois se apaga, e que deve ser acesa , para ser apagada novamente pelo vento. A vigília acontece, poderia durar eternamente, numa tarefa inglória que deve chegar a um fim, que deve ter uma forma final, mas que tem contra si uma força poderosa, invencível. A tarefa se torna insuportável, uma tortura, mas deve ser realizada. E é, sem ser deixada de lado, continuamente. Há 60 anos.</p>
<p><em>*Fotos: Paula Sacchetta</em>
</p>
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		<title>Os 60 anos de 15 de maio de 1948 - conhecer é o começo</title>
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		<pubDate>Thu, 15 May 2008 17:59:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Arturo Hartmann</dc:creator>
		
		<category>PortalPalestina</category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje começamos, através deste blog, um esforço jornalístico para criarmos um conjunto de conhecimento que ajude no entendimento de uma das questões centrais da geopolítica de nosso tempo: a questão palestina. </p>
<p>Começamos por este blog, mas em breve colocaremos no ar o site PortalPalestina, com um conjunto de informações que aprofunde o conhecimento sobre uma questão que a muitos parece não ter solução. Não sem ausência de significado, damos o pontapé a este projeto no momento em que chegamos, neste 15 de maio, ao sexagésimo ano sem uma solução ou um horizonte para o final do problema que teve seu início na primeira metade do século XX, mais especificamente no dia 15 de maio de 1948. Ali, numa ação responsável pelo maior deslocamento populacional visto no Oriente Médio na era moderna, cerca de 750 mil não-judeus tiveram que deixar as suas casas, suas vidas, seu passado para espalharem-se em uma diáspora interminável. </p>
<p>Por um lado, Israel construiu sua narrativa oficial para aquele momento oficializando a sua independência, uma vitória judaica contra Estados árabes inimigos. Era a imposição de um Estado que deveria existir a qualquer custo, não importavam as conseqüências, e que deveria dar aos judeus uma idéia de segurança e de que estavam recuperando o lugar que lhes era de direito baseado em justificativas vindas de uma mitologia religiosa e um pensamento que ganharia o nome de sionismo. </p>
<p>Aos palestinos nada sobrou. Sem suas casas e suas vidas, sobrou a ausência do apoio árabe, sobrou a vida da diáspora, de territórios ocupados, de controle, de uma vida vigiada. A justiça que o sionismo alegava devolver aos judeus foi sugada dos palestinos não-judeus. A partir daquele 15 de maio, a grande maioria dos palestinos vive em deslocamento, em todos os sentidos que a palavra pode adquirir. </p>
<p>Uma boa leitura que possa ilustrar o sentimento palestino vem das linhas de Mourid Barghouti. Poeta e escritor palestino, em seu livro Eu vi Ramallah, de 2006, ele faz uma descrição literária da viagem que fez à Palestina em 1996, momento temporário, baseado nos Acordos de Oslo, no qual foi permitido a volta daqueles “palestinos de 67”, e coloca no papel a sensação que teve ao rever depois de 30 anos sua terra, um relato encharcado de reflexões e de um mergulho na identidade palestina: </p>
<p><em>“Na derrota de 1948, muitos se refugiaram nos países vizinhos em caráter ‘temporário’. Panelas foram deixadas no fogo, pois se esperava que a volta fosse em poucas horas! Espalharam-se em tendas e em barracos de zinco, de latão e de palha, ‘temporariamente’. Os combatentes pegaram em armas e lutaram am Amã, ‘temporariamente’, depois em Beirute, ‘temporariamente’, depois foram para a Tunísia e a Síria, ‘temporariamente’. Elaboramos programas de libertação ‘temporariamente’ e nos disseram que aceitariam o Acordo de Oslo ‘temporariamente’ etc. Cada uma dizia a si mesmo e para os outros ‘até as coisas clarearem’”<strong>1</strong>. </em></p>
<p>O tempo, como mostram as linhas de Barghouti, passou. A catástrofe palestina ganhou as diversas nuances que as políticas de opressão impuseram a ela. Mas a vontade de um palestino ser palestino permanece. Aqui, mais linhas pessoais de Barghouti: <em>“Pensei: ‘O que esta terra tem de excepcional a não ser o fato de a termos perdido?’ É uma terra como qualquer outra. Não a cantaríamos a não ser para recordarmos a humilhação personificada por sua retirada de nós. A humilhação angustia a vida dos humilhados. Nosso hino não é por algo sagrado do passado, mas por nossa aptidão, que a continuidade da ocupação desmente diariamente”<strong>2</strong></em>. </p>
<p>O projeto <strong>PortalPalestina</strong> procurará narrar, contar essa história que é muitas vezes enterrada. Dentro do conflito, existem realidades, geográfica, política, social, histórica e cultural, necessárias para entendermos o dia-a-dia que nos é jogado sobre o conflito, um conjunto de conhecimento que deve ser desvelado. A solução da questão é complexa. Entendê-la também. Mas ao contrário do que o senso comum acredita e profere em geral quando se discute a questão palestina, de que “não há solução”, acreditamos diferente. Esperamos dar um pequeno passo, no âmbito da sociedade brasileira, em direção a uma melhor compreensão. Pois conhecer já é um começo. </p>
<p><em><strong>Notas</strong></em><br />
<em><br />
1 “Eu vi Ramallah (memórias)”; Mourid Barghouti; tradução e notas Safa Abou-Chala Jubran. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2006. Pg. 41.</p>
<p>2 Ibid. Pg. 22</em>. </p>
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