Obama e Mofaz: claros e cristalinos
Enviado em 11 de Junho de 2008
Publicado por Arturo Hartmann | Enviar por e-mail
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Demorei para postar este texto, já se passaram quase dez dias desde que as declarações abaixo foram feitas, mas elas valem a pena, inclusive para deixar como registro das negociações que constantemente se delineiam na região do Oriente Médio. No momento, Israel e Síria e Israel e Autoridade Palestina.
Vamos lá. Caso 1:
O ministério dos Transportes de Israel, Shaul Mofaz, disse no dia 3 de junho que as Colinas do Golã são parte de Israel e que o Estado não deveria nem pensar em devolvê-las em possíveis negociações. Na verdade, a declaração foi dada quando o ministro se dirigia ao Comitê dos Residentes do Golã. E ele concluía, o título é da agência israelense Ynetnews, que a “Síria não estaria pronta para a paz”. http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-3551526,00.html
Aqui, a sua declaração: “O Golã é e será parte do Estado de Israel, e isso deve ser declarado de forma clara e firme, o que deve ser entendido por nossos inimigos também”. A justificativa: “Dar o Golã a eles hoje é ter os iranianos aqui. Os sírios estão até o pescoço envolvidos no terror, e somente quando quiserem uma verdadeira paz nós a alcançaremos”.
Vale dizer que, pela resolução 242 da ONU, de novembro de 1967, as Colinas do Golã são oficialmente território da Síria e devem ser desocupados e devolvidos aos sírios, assim como, sob o texto da mesma 242, a Cisjordânia deve ser totalmente desocupada e fazer parte de um Estado palestino.
Caso 2:
Outro que se enrolou nas resoluções no início do mês, dia 4, foi o candidato democrata dos Estados Unidos Barack Obama, quando falava ao AIPAC (Comitê Americano-Israelense de Assuntos Públicos). Ele quer levar a região à paz, mas para isso quer manter Jerusalém como a capital una de Israel. Declaração do postulante: “Jerusalém permanecerá como a capital indivisível de Israel”. Afinal, diz ele, “Israel precisa manter sua identidade judaica como parte dos acordos com os palestinos”. É outro que precisa ler a 242, que também, através de decisão da Assembléia Geral, define a parte leste de Jerusalém como posse da Palestina. (http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-3552006,00.html)
No fim, a equação, para ser resumida, fica clara: no caso 1, Israel devolve à Síria o que lhe é de direito definido em Assembléia das Nações Unidas, mas em troca Israel se mete em suas relações internacionais ao querer que pare de conversar com o Irã. No caso 2, os palestinos devem ceder sua parte de Jerusalém e em troca Israel pára de massacrá-los. Nada como declarações oficiais para que as coisas fiquem claras.