Palestina: uma tarefa interminável
Enviado em 21 de Maio de 2008
Publicado por Arturo Hartmann | Enviar por e-mail
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Na noite da última sexta-feira, 16, um ato-vigília realizado pelo Movimento Palestina Para Tod@s, na Avenida Paulista, lembrou os 60 anos da nakba, a palavra árabe que significa catástrofe. A catástrofe para eles foi a expulsão, o caminhar que eles tiveram que realizar para fora de suas terras no momento em que foi criado Israel. Fugiam da violência que grupos militares sionistas imputavam às populações não-judaicas. O massacre de Deir Yassin, ainda em 1947, foi um dos marcos do caminhar dessa violência.
Um pequeno palco deu espaço a discursos, mas o gesto simbólico que deu fim ao ato foi uma vigília com velas espalhadas em parte do vão livre do Masp, rodeando uma série de quadros de grafiteiros paulistas, tapumes pintados que simulavam o muro atualmente construído ao redor de cidades na Cisjordânia.
Além do gesto que simbolizava o luto, a tristeza, algo que deve ser lembrado mas não comemorado, houve também um esforço de resignação ao levar adiante uma tarefa que parecia interminável. Explico: as velas insistiam em apagar-se, na verdade, a serem apagadas pelo vento frio que soprava em meio ao vão livre.
Os palestinos ali presentes, alguns deles chegados recentemente ao Brasil, vindos de campos de refugiados da Jordânia, no entanto, não desistiam. Uma vela inicial dava o tom, e era responsável por acender todas as outras. Uma por uma. Mas o vento atrapalhava, apagava um rastro de fogo e o transformava em um rastro de velas apagadas.
Mahmud e Hossam, irmãos, respectivamente, de 5 e 9 anos, começaram a brincar e acender as velas. Para eles, que chegaram ao Brasil em setembro de 2007, no primeiro grupo de reassentados palestinos vindos da Jordânia, as chamas traziam curiosidade e eram mais do que qualquer coisa um objeto para brincar. Hossam, mais velho, respeitava o silêncio, o ritual. Já Mahmud não ligava. Queria fazer festa.

O vento continuava a atrapalhar. O frio piorava a tarefa. A cada vela acendida, outra se apagava, e era, resignadamente, com uma paciência de quem vê em uma simples tarefa algo simbólico, novamente acesa. Ela seria um dos poucos sinais de que a Palestina havia sofrido uma catástrofe 60 anos atrás. Seria uma pequena resposta, quase insignificante diante de todo o corpo de discurso que foi dedicado às comemorações da independência de Israel.
Olhar para a tarefa é angustiante. Uma vela que acende e depois se apaga, e que deve ser acesa , para ser apagada novamente pelo vento. A vigília acontece, poderia durar eternamente, numa tarefa inglória que deve chegar a um fim, que deve ter uma forma final, mas que tem contra si uma força poderosa, invencível. A tarefa se torna insuportável, uma tortura, mas deve ser realizada. E é, sem ser deixada de lado, continuamente. Há 60 anos.
*Fotos: Paula Sacchetta
Uma metáfora poética para a causa palestina brilhantemente observada e traduzida por Arturo Hartmann.
Mas trago uma outra observação: A imprensa noticiou o fato? Havia “não-palestinos” engajados no movimento? Não seria o desinteresse de nossa sociedade pela luta desse povo mais uma metáfora para o vento que insiste em apagar essa chama?
Bom minha opinião, é que,o estado judeu foi criado,e sempre foi atacado hoje esta nas posições para proteger seu povo assim como a Palestina devia acabar com o terrorismo,pessoas bombas, etc
Porque os palestinos tem que atacar os judeus?
Simples fanatismo popular,parece que este povo não tem emprego ou resposabilidades, estão sempre se matando mesmo entre eles.
De onde vem o dinheiro que mantem este pessoal ???
Novamente aqui estou,sou a favor dos Palestinos assim como de todos os povos. Gostaria de ler um dia no noticiário que o povo palestino abandonou as bombas e terrorismo, e esta transformando o Estado Palestino que já existe em uma grande nação. Sim pois não precisa existir refugiados da própria luta entre palestinos. Porque o povo palestino não torna a palestina uma grande nação, igual os japoneses? Em vez de ficar atacando os outros porque não usam esta força e inteligência para criar o progresso de seu povo sem outras guerras?